quarta-feira, 18 de novembro de 2009


O bom argumento





Essa semana aprendi
Coisas de um poeta operário
Em sua vidinha pequena e medíocre
Na solicitude de seu labutar
Nesse cotidiano que sempre sofri

Uma lição valiosíssima
O leão é o rei dos animais
Não pela força , nem e o mais forte
Nem pelo tamanho , nem é o maior
Muito menos pela inteligência ou esperteza ou velocidade
Nada disso ele é o campeão
O leão é o rei por causa de seu forte e imponente “urro”

Pelo urro o leão sabe exigir o que lhe por direito
É como diz o velho ditado
Quem tem boca vai a Roma
Mas na realidade é muito mais que ter uma boca
Boca fechada de nada adianta
Tem que urrar feito o leão

Quem não chora não mama
Já desde cedo aprendemos
Quem aprende essas lições
Desde tenra idade
Tem maiores chances
De alavancar seu sucesso e
Conhecer a felicidade

Não há nada tão solene
E imperativo na selva
Ou na savana
Que o urro de um leão
Ouve-se a quilômetros e quilômetros
É imperativo
Um argumento incontestável
Apavorante amedrontante
Pelo urro o leão faz-se maior e mais forte
Do que realmente é

É uma voz de conquista
É um andar no alto da crista
De uma onda de poeta
Um ser artista
Um fingidor

É pela boa argumentação
Que se provém
Todo líder de sucesso
A palavra de bom tom
Acalma a alma e o coração

E o Leão com seus urros
Lembra dele que te falei
No inicio ?
É o rei das selvas
É o mais eficaz predador
Não há nenhum outro animal
Na floresta que tenha tamanha capacidade
De intimidação como ele

O argumento é passaporte
Para o sucesso
É o documento que não se exige
Mas que abre todas as portas

Fale , grite, urre feito o leão
Se preciso for
Desabafe , extravase
E veja ...
Os resultados serão alcançados
A seu gosto
Ao gosto e a altura do argumento

O interesse de poeta






Ao poeta interessa o inatingível
O gosto de tentar
O sabor de ver e não ter
Ser um ser de contemplação inevitável

No rugir dos tambores
Feras correm
E amores aparecem
E somem

E o poeta continua
Sempre
Enquanto poeta
Com sua vontade
De viver sua paixão
De adolescente
A verdade platônica
Nua e crua

terça-feira, 17 de novembro de 2009



Escre-vida



Hoje eu quero vida


Quero distância da poesia


Já que eu sei


Ai como sei


Que poesia não é


A poesia da vida nos tira


Nos afasta da existência


Pra viver das paixões


Simples essências



Na poesia a vida real sede espaço


A uma vida tão somente


Escre-vida



A poesia é morte


Uma ex-vida escrevida


Para a alegria


De viver a vida


A poesia afasta-nos do realismo


E de inspiração


Nossas mentes mentem


Que vão criando sonhos


E escavucando um gigantesmo abismo


Entre realidade e fantasia




Chama da poesia


Poetar é escrever


Sem olhar no dicionário


Fazer sem saber


É ser um ser visionário


Poetar também é excretar



Seguindo a intuição


O poeta segue


Caminhos tortuosos de sonhos


Expulsando de si todos os medos


Em simples folhas de papel



Uma daqui outra de lá


Poesias vão rolando pela boca


Da mão dos dedos de um poeta


Poesias enfeitadas


Em versos simples


Que dizem tudo


Que o coração bate


Nessa eterna falta do que fazer


Dentro de um domingo a tarde



A benfazeja inspiração


Bate na porta


A tristeza escapa pela janela


E essa efêmera


Não tem data nem hora


Pra acabar



Do fruto colhe a vinha


Poemas escapam da mão minha



Em meio a folhas encardidas


Ouso rasgar palavras


Em avesso de versos


Em fontes de melodia


Cheirando flor de meio dia


Em plena meia noite



E o nesse tempo


O que devemos fazer


Com essa força estranha


E intuitiva


Chama da poesia




O bom argumento







Essa semana aprendi


Coisas de um poeta operário


Em sua vidinha pequena e medíocre


Na solicitude de seu labutar


Nesse cotidiano que sempre sofri



Uma lição valiosíssima


O leão é o rei dos animais


Não pela força , nem e o mais forte


Nem pelo tamanho , nem é o maior


Muito menos pela inteligência ou esperteza ou velocidade


Nada disso ele é o campeão


O leão é o rei por causa de seu forte e imponente “urro”



Pelo urro o leão sabe exigir o que lhe por direito


É como diz o velho ditado


Quem tem boca vai a Roma


Mas na realidade é muito mais que ter uma boca


Boca fechada de nada adianta


Tem que urrar feito o leão



Quem não chora não mama


Já desde cedo aprendemos


Quem aprende essas lições


Desde tenra idade


Tem maiores chances


De alavancar seu sucesso e


Conhecer a felicidade



Não há nada tão solene


E imperativo na selva


Ou na savana


Que o urro de um leão


Ouve-se a quilômetros e quilômetros


É imperativo


Um argumento incontestável


Apavorante amedrontante


Pelo urro o leão faz-se maior e mais forte


Do que realmente é



É uma voz de conquista


É um andar no alto da crista


De uma onda de poeta


Um ser artista


Um fingidor



É pela boa argumentação


Que se provém


Todo líder de sucesso


A palavra de bom tom


Acalma a alma e o coração



E o Leão com seus urros


Lembra dele que te falei


No inicio ?


É o rei das selvas


É o mais eficaz predador


Não há nenhum outro animal


Na floresta que tenha tamanha capacidade


De intimidação como ele



O argumento é passaporte


Para o sucesso


É o documento que não se exige


Mas que abre todas as portas



Fale , grite, urre feito o leão


Se preciso for


Desabafe , extravase


E veja ...


Os resultados serão alcançados


A seu gosto


Ao gosto e a altura do argumento



O interesse de poeta








Ao poeta interessa o inatingível


O gosto de tentar


O sabor de ver e não ter


Ser um ser de contemplação inevitável



No rugir dos tambores


Feras correm


E amores aparecem


E somem



E o poeta continua


Sempre


Enquanto poeta


Com sua vontade


De viver sua paixão


De adolescente


A verdade platônica


Nua e crua




sábado, 7 de novembro de 2009


Bastidores


Resumem em suma toda pobreza
Em ser, ter, um ser ter
De não , nada ter a real e concreteza
De ter certeza

Na luxúria em certeza
Fagulha a dor de ser o que é ter
Ser feliz na pobreza exercer
No viver sem nobreza

Nos bastidores da vida
As lutas injustas
Batalhas se travam dia após dia
E os versos dos poetas
São as armas mais poderosas
Para a cura o antídoto
Para esse mal que se alastra:
A falta de sensibilidade humana

O povo vive cada um
Sua derrota , sua glória
Sua poesia
Um povo uma vida sem história

O que fazer já nem se sabe
O amor na dor que se acabe
Força , garra , paixão
Que em versos a pura inspiração
Derrama um coração
Que onde o desprezo não cabe

Medo medonho nos bastidores
De dores da amor
A coragem se assanha
O abandono de perdidos
Antigos amores , novos desejos
Sem senha

Versifico meus dias ,meus sofreres
Em poesias
E cada vez mais cada dia
Tento em inspiração
Fugir da melancólica hipocrizia...

Chuva anti-biótica
Chuva
A ver-se no marasmo se gosta da chuva
Nada melhor a aliviar num sábado a noite
A disfarsar-se melhor entre as festas não idas
Os amigos, as paixões não coquistadas
O desprezo social a critica parental
Doença sentimental irracional

Fingo ser normal enquanto a chuva
Em enxurradas lá fora
E aqui dentro num abrigo
Num buraco esconderijo a poetar

A chuva nos atribui alguns atributos
Um deles é o acostumar com o conformismo
E não olhar pro próprio umbigo
A chuva tem um sentido a aqueles que nela sofre
Um sentimento mais ambíguo

Onde passar há pingos, gotas raios e orvalhos
Que na cortante madrugada mal dormida distribui
Mas os díspares de impecilio vem a temperos
Nos intemperes do desprezo

Ao ver versos, idos,
Planos secos irem pelos ventos da chuva
No entreter com os pingos
Feito versos de uma poesia natural

E em que pese a chuva seu brilho
Tomara que continue
Caiando chuva a noite inteira
Com gosto doce e apertante
De gomos de cana caiana

E lavando a terra inteira
Pois assim fará com que a solidão única
Se torne uma mútua solidão
Que não há nada que atenue
No envolver dessa escuridão
Banhada de água doce
Caindo de graça do céu
Na terra em inexatidão

Chuva caótica
Mas em noites como esta, pra gente obsessiva
Funciona tão bem anti-depressiva
Como homeopática receita antibiótica
Espinhas



Como é gostoso
O sair jorrado de pus
Esbranquiçado amarelado e um caldinho transparente
No espremer de uma espinha grandiosa
Com ar malicioso

Espremo espinha e cheiro teu cheiro
Odor forte, te confirmo
Inebriante não me condeno por isso
Digo não a hipocrizia
Duvido em vida e em poesia
Que tú nunca cheirou também
O cheiro que você tem

E como é gostoso
Chega ser quase um gozo
Dividido em pequenos estouros
Que quando próxima aos ouvidos
A gente até ouve o som delicioso
Do estourar de mais uma espinha
E o alivio é extremamente saboroso
Com é bom espremer espinhas

Começa a doer, vai doendo
E de repente quando menos se espera
O pus em meleca espirra em jatos
Primeiro a meleca mole
Depois o cabinho de pus compactado
Sai e espirra pregando se no espelho

Da pela pele da gente um pedaçinho
Expulso a próprio cunho dedal
Por nossa vontade em caldinho
E é quente, e grosso
Um caldo viscoso cremoso

Cristaliza depois
De algum tempo expelida
Ou mesmo na pele escondida
Depois de alguns dias inflamada


E como é gostoso e bom
Para o ego da gente
Espremer espinhas
É retirar todo mal contido na gente
Com as próprias mãos
O que da gente não presta
O que é do corpo rejeito

Espinhas
Em mim sobressaem
Nas costas e no rosto
Milhões de remédios
De beber, de comer, de deixar de comer
Deixar de beber, e nada efeito algum surtio
Cremes na pele nem tenho a conta de quantos já usei
Foi tanto dinheiro que já gastei
E nada , absolutamente nada em mim efeito efetivo reverteu
A vaidade para as espinhas a guerra perdeu
E as espinhas essa ordinárias
Em mim não me abandonam por mais que eu tente


O tempo passou
A puberdade foi embora
E com ela nada mudou
De espinhas em espinhas
Fui me espremendo nos espelhos da vida
No banheiro, no quarto
E até no espelho do shopping
Essa meleca espinhal espremi

Espinhas
O sentido desse nome é bem propicio
Tem a dor de um ficar de espinho

Rodo pela cidade
Nada escapa a meus olhares
Nem mesmo as marcas
Nos olhos de quem muito amou
E se decepcionou
Desde tão terra idade
Sentiu na pele, no rosto
Nas marcas de espinhas
Deixadas o peso e a dor
Da infelicidade

Espinhas
São umas marcas
Registradas minhas
No rosto cicatrizes e pintinhas
Assim dizem os especialistas psicanalistas
Espinhas são coisas
De pessoas nervosas
Filosóficas, apaixonadas, e cientistas
Pessoas ridicas


Espinhas
Ao acabar esse poema
Vou aumentar o tamanho da letra
Porque essa poesia de espinhas
É coisa muito minha
Dois pra lá, dois pra cá




E no infernal som de dança
Dois pra lá, dois pra cá
Meu coração se cansa
Fortes rufares em dores
Em mais um não ouvir

É coisa de se rir
Mas dançar nunca aprendi
E de tanto tentar
Acabei por desistir

Toma uma cerveja
Duas ou três...
Estou bom
Nada adianta
Um nó na garganta

Agora além do bafo
Tem um sono e dor de cabeça
E a vontade de ir embora dormir
Ganha novos respaldos
Cerveja não presta

E o som não para
Som horrível
Brega de sanfona
A mesma nota a noite inteira
Nessas festas corriqueiras
Cada um em seu próximo
Querendo passar uma rasteira

Nessas festas sim
Que se retrata o pior da vida
Dor a noite inteira
Uma dor lenta e constante
E no semblante se exala
A timidez é quem fala
E a idéia de ser feliz se cala
Vou embora pra casa

A próprio cunho




Minha poesia não é certinha
Toda prosa dissertada
Nem tem trevas
Ou descobrir rimas desbotadas
Escrevo
Providencio versos as favas
Qualquer tipo de caneta serve
Mas não consigo mesmo
E escrever de forma redondinha

Faço versos de manhã
Faço a tardinha
Risco palavras , rascunho
Rabiscando feito criancinha
Gosto de compor a próprio cunho

E assim vão-se passando
Meus dias e sofreres
Na beirada de um remanso
Riacho sem fonte
Sem caras e inatingíveis afazeres

E tem que ser a próprio cunho
Digitar
Só mesmo quando terminar
Minha inspiração só flui em rascunho

De verso em verso
Vou contando minha história
E a história de amigos,inimigos,etc e tal
Na tristeza ou na glória
Tudo que vem na memória
Minha poesia é assim
Arquivada em cadernos
Idéias recicláveis desde a página inicial
Até a final
De tudo um louco


E a gora faço esses versos
Um poema de tudo
Nessa vida que levo
De louco , um pouco

Saudade de um amigo
Melhor amigo
Antes , dias de domingo
Sempre comigo
A distancia assim
É mesmo um castigo
E faço nos versos
Meu puro e nobre abrigo

Deito na cama e sonho
Acordado no sofá
Pois não sei o que é cochilar
Só durmo deitado na cama

Ao fechar os olhos
Vejo uma linda moça
Aquela mesma
De meus outros versos
E solto aquele sorriso enfadonho
E me aperta um aperto no peito
Acho que deve ser o coração
É paixão

Num repente fujo de mim
Num rompante saio correndo
Versos de amor escrevendo
Fundindo amor escrevendo
Wisks e vinhos tintos
Ao sabor salgado de uma pizza
Chorando e saborendo
Da noite em solidão
Meu triste fim


Esperando aquela moça
Dela o tão esperado sim
Mas de indecisão em indecisão
Vou na vida seguindo
Sem saber se sigo a mente ou o coração


Mas como é bom poetar
Me faz muito bem
E não há mal nenhum
Que possa nos alcançar
Quando estamos a poetar

Em vida
Minha , tua vida minha
Meus sonhos mais sinceros e loucos
De ontem em ontem
Vou perdendo-os aos poucos

Mas amanha é dia de labuta
Minha história continua
A vida é uma luta
Mesmo que quando em luto
Ainda quero aquela moça nua

Escrevo poesia
Escrevo assim
Ouvindo musica que adoro
Assistindo o final da novela
Nos caminhos do setor mineral
De onde tiro meu sustendo
Levo-me ao paraíso ao sair desse tal mundo
Esse setor degradante

Sonho com aquela moça
A tal moça , a minha musa
Quero ela
Tomo um porre de inspiração
Caindo dentro
Bem no meio no centro da desilusão

Sinto o gosto da solidão
Já chorei de decepção
De amor, de dor
Sinto o perfume da flor
Na obra em jardim
Em moça de paixonite em paixonite
A cada época
A poesia, mais abre meu apetite
E a escrever a próprio punho
É um convite
Que esse poeta não resiste
Camisa estampada


Mas enquanto
Não encontro
No desencontro da vida
Minha cara metade
Vou seguindo a vida
Pelo tortuoso
Caminho da idade
Sem muita vaidade
É verdade

Vou flagrando
Por aqui e por aí
Poesias em versos
Louco
Plagiando emoções
Na loucura de ser

Vestindo camisa estampada
Sonho
Uma esfirra , a comer uma empada
De catchup empapada
Ma no fundo
Tenho fome é de ter
Uma namorada

No frio , no meio da madrugada
Nem importa que ela seja chata
O que interessa é que ela seja linda
E mas no fim da minha solidão
Mais uma decepção calada

Na freqüência de se vestir
Vem a poesia
Em mim coexistir
Me inibir
De todo mal me exaurir
Da solidão me abolir
Vem me fazer sorrir

Vem na lembrança
Minha velha enfadonha
Camisa estampada
E eu com a cara fechada

A poesia não precisa
De forma alguma ser grande
A poesia não é uma esfera social
A poesia boa é concisa
Leve e suave
Como uma deliciosa brisa
Báfo literário




Me assento na cadeira
Escrivaninha e penso
Um ser ali poetante
Tão sujeito a proesas poéticas
Nesse ato mistério
Um ser pensante
Um poeta , um poema uma prosa
Patética

Faço poemas a todo instante
Tudo que olho
Sinto me humilhante
Na vontade imediata
De vômitos arregalar
Em salivas de sangue exonerar
Do cargo de poeta andante
Sofrente

Escrever nem que seja uma ata
Uma carta
Entre milhões bilhões infinitas
Que já escreveram todos humanos
Tantas
Que parece não haver mais o que inventar
O que poetar
Sem antes tudo a terra jogar
Pra erguer novamente
Num fluxo reverso entre decompor , recompor
Um mais uma poesia de amor compor

Meus escritos são meus desabafos
Pra aliviar o tédio que me assola
Dor ardida que ferroa e incomoda
Poesia rimada e revisada
Os livros nas estantes estão repletos
Sem qualquer afeto


De menção poética
Na dimensão esférica da terra
A água se faz turva em seus dizeres
Livros de idéias
Mar de palavras
Oceano de versos
Somos afogados todos os dias
Isso são as poesia

E os carentes so sentem
O grito de longe atrito
Recitado na casa ao fundo
Barraco de frente
O fundo da biblioteca
De uma doce poesia
Somente o bafo
De velhos livros
Carcomidos em mofo


E enquanto tudo acontece
Nesse frenezí louco
Eu apenas sôfro
Brilhos de olhares





Colho versos no brilho de olhares nômades
Onde mostro-me no esconder vertiginoso
Dantes noutra célula hoje empapado em poesia
Flutuando em mares, ares e olhares

Em cada brilho de olhar uma incerteza
De ter na inspiração minha destreza
Feito um pintor e sua tela
Jogo palavras feito borrões de tintas
Misturadas em emoções de pintas

Escorrendo na triste sina de poeta
Escorado no pilar da lealdade
Em versos livres , vagueio
Em ser andante , viajante
Amparado pela poesia

Na poesia a mão se faz voraz
Na dor de amor
Vejo, admiro, e fomento
Inspiração em coração gelado
Derretido no fugaz calor

Nos brilhos de olhares
Vezes, momentos de amores
Em teus olhares
Viajar por estranhos mares
Vezes sim, outras não


Usar colares moças em sábados festejares
Cada gomo , um sonho meu
Uma poesia, uma canção
Um olhar sem brilho,
No brilho da solidão
Apenas o desejo por um beijo
Dela em mim por paixão
Arrumação






Em todo arrumar
Um algo mais
A que se arruinar
Antes de arrumar

Arrumar comida
Arrumar escola
Nessa vida sofrida
Não dar esmola

Tudo na vida
Gira em torno de uma arrumar
Arrumar emprego
Arrumar empreada

Nada há de se fazer
Sem antes arrumar
Arrumar
Namorar
Na casa da sogra morar

No sossego obstante
No coração da gente
A dor latente
De arrumar e ser e ter
A musa presente
E essa poesia
Dedica-la como mimo
Um presente

Nessa arrumação
Não podemos jamais
Esquecer do coração
Que dos poetas sofre demais

Arrumar motivos
Arrumar amigos
Dores cativas
Sem saber outra coisa
Que olhar o próprio umbigo

Arrumar uma roupa
Arrumar um filho
Sol nascente sem brilho
Tomar uma sopa

Arrumar ...
Um remédio
Fugir desse tédio
Uma casa, um carro, um cachorro
Uma cura, um eletro, um cabelo
Uma dor de cotovelo
Um compromisso sério


Nessa arrumação que é a vida
Só arruma quem pensa
E quem não pensa
Acaba por arrumar
A mais pura recompensa
De levar a vida feito criança
Na total confiança

Ato-reflexo


O começo é o mais difícil dos tortuosos
Da vida tropessos
Donde vem a inspiração
Essa referencia se faz rica
Em um cazebre de pura pendência
Já nem mais sei , não lembro
Neste tempo asfixiado me vi pela paixão
Sufocado

E nunca dantes tão desprezado
Me vi a versos , poesias aos avessos
A esse vicio enamorado
Já que por hora
Em realidade tão calado
Segurando a dor reprezada
De a doce flor me fazia
E em prantos me desfazia

Coisas dessa , sem nexo
Ligo o carro e saio
Sem destino , sem rumo, sem qualquer ensaio
Num puro ato reflexo

Rodo nas rodas de liga leve
Pneus Pirelli e freios abs
Mas Por dentro uma sucata
Um motor rajando
O coração quase falhando
De tanto sentimento
Por uma ingrata poesia
A muito me desprezando.

Com nada


Conada
E que estranheza tal coisa
Essa força de poetar
Posso passar o dia todo no óssio
Mas na madrugada é que me vem
Inspiração me arregatar
Minha historia de letrista resgatar

Nada posso fazer
Diante disso senão
Levantar e me por a compôr
Até o dia ido nos sol se pôr
Prá mim sossegar
Ao sono me render , emoções represadas
Em papel e caneta aliviar

Filtrando ares de pudores
Somos atrofiados em vão
Na espreita fugaz da solidão
Repetente de indígenas a assores

Criaturas se subjulgam capazes
Pobres presas
Satisfeitas na reclusão abstrata
Da ignorância que se retrata

Contudo, escrever se pode querer
Mas poetar de verdade
É coisa Prá apenas
Seres dotados de humanismo
Contudo fosse assim tão simples
Conada o antônimo de contudo seria
Mas assim só se tudo fosse mesmo poesia.

Computador


Computador



Sou um poeta conservador
Apesar de moderno
Contemporâneo
Escrever a mão é melhor
Bem melhor
Detesto escrever no
Com-puta-dor
Causa dor no crânio

Quando estou
Com puta dor
A inspiração vai embora
Coisa mesmo
De poeta do interior

Com puta dor
Dói as vistas
Dói as costas
Cansa a gente
E faz a gente
Nem parecer gente
Tão pouco
Com a própria gente
E com puta dor
Dor nas vistas
Dor nas costas
A gente sente

Escrever poesia pra mim
É um quase respirar
Sinto falta
Mas ultimamente
De tanto poetar
Nem me lembro
Que existe o poetar
Assim
Como o respirar

Conveniência

Não fui capaz
De amar alguém que nunca quis amar
De me constranger em não querer bem
Quem nunca amei nunca amarei também


Em a verdade não dizer
Aquela que nunca amei,
É muito ruim namorar
Alguém que não quer e nunca ira querer

No exagero que é a paixão
Não consigo outro sabor
Que não seja o ser
Amor apenas não basta
Tem que ter o sutil e leve toque
De fantasia total – paixão

Na emoção desmedida
De não conseguir
Namorar uma moça metida
Tentar e não amar

Na paixão não e preciso
Aprender nada,
Esquecesse tudo
Só é preciso aceitar
Quando a paixão invade
Nada de ruim vê-se
Na aparência e no conteúdo
Da pessoa que é objeto da paixão

O amor sem paixão
Não me interessa em relacionamento amoroso
Que me desculpe o amor e a convivência
Mas amor de paixão não se constrói
Se constrói é amor de amizade
Jamais uma paixão de verdade
Com o dia a dia se nasce

E o amor sem paixão
Não passa de uma simples e monótona
Triste convivência
Sem emoção
Um amor de conveniência

Crença poética


Acredito que a verdadeira poesia
A verdadeira arte de poetar
Deve ser absoluta pura fantasia
Sem por regras ortodoxias
E sim poesias ou poexias
Se deixar levar

Ao poetar o poeta deve
Se genuíno
Na sensatez de descrever
O que aos outros a timidez
Os conteve

Ao poetar me aproximo mais de mim mesmo
Em suma sabemos eu sei
Somos pura força tui-iu-iu
Energia inexplicável
E é isso exatamente a poesia
Em fundamento
Nessa floresta de pântano que é a mediocridade
De ser um ser despoetizado

Ao poetar não sou carne e osso
Não , tanto que nem sinto-me vivo
Não ,sou apenas um verso escrito
Momentos , dias , noites afora
Paixão avassaladora que me aflora
E sinto a existência
Num sopro , um doce acalento

Ao poetar não fujo de mim
Fujo do mundo,da minha vida de descontentamentos
Introspecto em meu eu mais álreo
E mergulho em sabedoria tal
Sem fim...
Eduardo

E mais uma vez Eduardo
Dentre tantas noites desilusões
Me debruço a escrever
Já nem sei mesmo
Se sou mesmo um poeta
A depressão me põe em check
E a vida entre os dedos escorre seu caldo

São tantas as opções
Que me perco de fato
No decidir ou não
Em que pese o resguardar
No que é ser Eduardo
Em que tanto relato
Ser meu próprio retrato
Eduardo

É preciso discernir Eduardo
Mas nada é tão impactante
Quanto a atitude de fato
Ver que o mundo
É muito mais que um mero
Banal objeto
Poesia , um desobjetivo boato do ser Eduardo

Enxergo agora um Eduardo
Depois de tantos desencontros
Que no quarto
Não existem soluções
E que um simples caminhar
Pode trazer a melhor decisão
E o objetivo alcançado
Feito pássaro em seu primeiro
Vôo alçado
Me chamo Eduardo


Nas páginas tristes que a poesia me fez enxergar
A mesma inspiração a qual vem o efeito retardo
De sonhar e a lugar nenhum conseguir chegar
E nesse mundo fechado e calado
Foi construindo um Eduardo
Elogio
Lógico sem pretensões ademais
No ímpeto de se esquivar
A sociedade não perdoa em criticar
E a todos apregoa
Magoa

Um marimbondo que ferroa
Vespa que nos fere
Mas fere-nos e morre
Já a sociedade que a nos
Fiquemos tristes nos implore

Difícil é se indispor ao elogio
Coisa boa destas vidas
Prestígio
De todas as dores conhecidas
O imaginário refúgio

Gostoso mesmo é ouvir
Não importa se é sincero
É capaz de descrenças diluir
Elogio pra que te quero

Motivação mais eficaz não há
Que um simples elogiar
Pelo contracenso se ante-põe
Quão decepcionante é o criticar
De ser e se humilhar


E não sejamos hipócritas
Quem nesta vida
Em sã consciência
Não procurou um doce alívio
Quer seja por uma voz garrida
Quer poesias escritas
Emoções inexistenciais

Vários tipos e tipografias de pobrezas
Mas não há amargura maior nesta vida
Que lembrar e relembrar velhas tristezas
Remoer a já remoída alma sofrida

Não quero ser ortodoxo,
Assim mesmo que quizesse não conseguiria
Não tenho tanta cultura pra tal literário arroxo
Sou mais a minha própria e singela poesia

Sem querer me dou conta que estou poetando
E me pego pensando em nada
Ah como é bom nada estar pensando
É como viver num sonho de fada

E meus dias se vão
Neste escuro que me fecho e me revelo
Solidão
Ser feliz na verdade é o que eu quero

Olho para o lado vejo tanta pobreza
Mas uma pobreza diferente
Da que você imaginou com certeza
Uma tristeza na alma presente

Vejo pessoas fingindo serem reais
Em beijos e abraços irreais
São apenas fantoches sociais
Vivem emoções inexistenciais
E ainda se acham legais
Por serem a família, ao mundo iguais


Pra minha felicidade não importa
O quanto a porta é estreita
E os caminhos que me levam são
De esquerda ou de direita
Só me interessa se fiel a minha paixão


Somos movidos por paixão
Só existe poesia
Pela grandeza da emoção
Que o ser possui em sua essência


Esses dias são especiais
Irremediavelmente tenho tido inspirações literais
Nem sei porquanto isso irá durar
Mas não quero esperar passar
Sem do néctar aproveitar
Me ponho noites a fora a poetar....

Desvício






No ímpeto de não querer
O obsoleto desejo de não ser
De não ser aquele desejo
Opinião de uma vida descartada
Na realidade das ilusões jogadas
A sorte dos que regalam
A nata

No abandono de um ser andróide
Antigas amarras se soltam
Vicio
Desetrelaçam os bordões
Umbilicais cordões da perdição
Em destemperados corações

Revogando por mais tempo a ilusão
Circulo vicioso que queima
A máquina de descartar dinheiro
Num suplicio de vulcão
Desonrando famílias em erupção
Da miserável ambição

O espaço se abre no tempo
Ao abri mão de um vicio
Liberta a pressão de costruir
E coisas boas consumir
Que já não se lembra mais
Do bom tempo de quando não tinha vicio
Lá no inicio

Sem Vicio nasce uma nova forma
Estupefada metamorfose em novo formato
Formatada em exemplos exemplares
Na dor que existia de fato

Nova atitude , fase exuberância
Agora essa paródia
De cessar os vícios maus
Assenta a poeira da loucura
Quem perdeu foi a tortura

Desvício que se sente
Correria de vantagens
Vem e tomam conta da hora
Dantes fora de orbita
Inserido agora
Na vanguarda da felicidade
Que a tanto tempo a mãe implora...

Devaneios de uma quinta-feira de folga





Escrevo essa poesia agora
Pra quando não estiver fazendo nada
Sozinho(a) pensando em quem namora
E a vida é um subir e descer escada

Feche os olhos agora
Pense em que queria ser, ter
Tudo vem sem demora
Mas a realidade é não poder

Finjo ser feliz
Dou sorrisos sem graça
Assim como você
Depois de um não faz pirraça

Furtivamente somos assim
Sitiados pelo medo
De não ter ninguém no fim
Por isso nossos passos vamos escrevendo

Já nem sei o que é
O que se pode ser
De tudo que se quer
Nada de tudo se tem fé

Hoje é quinta –feira
Estou de folga
E a inspiração me impolga


Disparidades
Preciso escrever agora
Antes que a vida se feche
E tudo se perca
A inspiração tem validade
Não é resgatável se perecer, a que se perder
Talvez nunca se recupere
Apenas supere

Na podridão que é
Pura alva Constança
De se entreter nessa fé
Amargor de um forte café
Poesia encontro em ti minha esperança

E acho tão belo o movimento de escrever
A caneta vai balançando
Os pensamentos poéticos a me entreter
São combustíveis fosseis renováveis
Vou voando nas asas da ilusão e no corpo do desejo
Pensando
A vida alegremente pensando

Já me esta sendo de costume
Tanta vontade de dissertar
Gosto tanto de poetar
Que chego em segundos da felicidade imaginaria
Ao cume


Na paz que a poesia traz
Versos de diferentes razões
Não as mesmas dos apaixonados corações
Bem mais perplexa
Inexata resolução convexa
Em fatores de dissolução bem complexa
Essa é a explicação após encontrada a solução
É que não se tem solução
O jeito é acostumar-se a essa poetação
Efêmera inquietação

Espelho da vida


ESPELHO DA VIDA








No viés da triste escarnante solidão
Me vejo reflexo
Um morto mais vivo
Nú e sem amparo
Uma triste imagem num mero espelho
O espelho do coração

Mais uma noite
Jogada em palavras escritas
Sem hambúrgueres nem bundas
Sem poesia carnal palpável
Noite dormida para os meros mortais
Me assombra essa noite
Eterna e comprimida
Noite comprida

Assim, nesse mar asmo
Só uma saída há
Trancar no quarto
E agüentar toda dor sozinho
Pra tudo parecer normal

Aqui no fundo do poço
Se vê que o fundo é bem mais fundo ainda
Imundo
E ainda há como
Vazar desse fundo
Sem jantar nem almoço
A barriga ronca
A cabeça dói
A tristeza corrói
Lugar imundo
Me sinto defunto

Fugacidade em nós




No apagar das luzes
Vem visitar-nos o sofrido desespero
O que fazer para que múdez
O destino sem tempero

Mas não sei se quero
Sou esse coerente
Metódico inconstante
De um querer e um abster-se sincero

Cada dia é um a menos
Nesta vida com validade
Todos nos meros mortais
Temos os dias contados
Mas só o amor e a felicidade
Faz-nos seres humanos mais amenos

O coração pulsa forte
A aflição angustiante
Faz-nos perdermos o sul e o norte
Essa mania de pensar
No que ainda virá adiante

Uso o tempo como um escudo
Qualquer intempere
Um motivo, um descuido
Faz no coração
Uma mais entre tantas
Cicatrizes que fere
Por sermos assim
Comandados pela fugacidade de nós.

Fugindo da demência dos versos


Preciso entender logo
Que um ser deve ser conciso
Que o quanto antes melhor
Eu menos dependente de versos
Mais fácil a felicidade eu encontrar

Agora vejo
Em um claro lampejo
Que toda poesia , eu trocaria
Em um apaixonado beijo
Da musa que nos meus sonhos vejo

Atitude
Mola mestra
Mas parece essa virtude
Que me detesta

Atitude
Faz o homem se sentir eficaz
Em tudo aquilo que faz
E faz da depressão essa calamidade
Sobriamente escapar
E viver a vida com total propriedade
De errar e aprender na admirada humildade

Preciso logo
Mim libertar da poesia
Avassaladora e voraz
Um mundo novo e real desbravar
Deixar de trovar

Imaginando o mundo e o tempo




Ando pela casa desocupado
Sem saber porque ando
Uma missão antiga imaginando
E dentro da mente nesse mando desmando
Vou vivendo esse particípio- gerúndio


E o mundo não ta nem ai pra mim
Nem meus desejos
Estão aí pra probabilidade de um triste fim
O que é bom na vida enfim
São os abraços e beijos


E o tempo, esse sim é o mesmo um coeficiente
Restringe e controla
As coisas que a vida em suma se compreende
E as vezes revela o futuro
Decepcionando o presente



Improviso

O improviso é que é
o que há
De mais humano e real
No fracasso que é
O planejar

E a poesia é o reflexo
Faço versos ao impulso
No ar do improviso
Juntando palavras sem nexo

Então juntamos
Num amontoado de improvisos
Choros e risos
E amamos

O poeta comunica
Não pede nem suplica
Quem vive a poetar
Sabe o que é a arte de improvisar

Projetos por água a baixo
Uma carreira , um emprego , uma história de amor
Uma vida que deixa o ser perplexo
Mas o poeta já sabe e conhece da dor do fracasso
O terrível sabor

O poeta delineia sua existência
Em versos
Cercada de sonhos em essência
Mesmo aos avessos

É tanto improviso
Tudo é improviso
A própria vida é o maior improviso
E é na dor que se sente
E não se sabe de onde ela vem
Que improvisamos o alívio
E transformamos em minutos
Dor em sorriso

Impulso ímpar



No mar de rosas não nascem
Pura original criação
É no meio da desgraça
Que se tem a lapidação mais eximia
Da total inspiração

Idéias que possam nascer
Da ira crescente
Dentro de um ser
A força do mal – querer

Quando tudo está bem
Não há poesia
Nada de novo há em um mundo de luxo
No meio do lixo sim
Que se cria , ordena providencia
E improviza
E é no improvável imprevisto que ser gera
O amplo admirável amplificável tudo
De arte nova e contemporânea

O melhor para uma boa colheita
É o mais fedorento esterco
O melhor para a poesia
É a solidão e todas as suas mazelas
Que a descente transcende
Te exala , irradia , imortaliza
Providencia ...

Adrenalina força voraz
Impulso impar razão total
Não há barreira que impessa
Na mordaz que urge a pressa
Arregala e exarceba a mente
O desejo insano


Fonte inesgotável de idéias
Criatividade sem limites
Na importância que há
Em vigor de vingar
Semelhante inspiração não há
Transbordante na alma...

Inconformidades





No escândalo que é
Não ser como é
Vou passeando entre espinhos
Calado apaixonado
Sôco no muro
Rochoso

Não adianta esperiniar
A dor ganhou seu lugar
Ao sol
Era de ser esperar
Alegria esta escondida
E tão cedo não irá
Voltar


Na maledicência que é
Dura de ser diluída
Não ser inimigo
Falsos amigos
Olhando o próprio umbigo
Nesse viver ambíguo
Viver de poema em poema
Abrigando – se


Seguindo estrelas
As noites passam em flashs
Constantes que sabem
Sem céu suja tudo
Muito mais que se espere
Venere

Vida esta que vai se escorrendo em rima
Descendo a escada descalço
Subindo a pressão
E se perdendo na próxima esquina
De dor
Chacina

Inesperadamente





Não faço publicidade nem propaganda de minha poesia
Começo um verso e não sei onde isso vai dar
Sou um misturado de tudo
Que a inspiração me expõe e me esconde

A obra do poeta
Não é tua nem minha
É de natureza própria
Uma vez escrita e jogada ao vento
Ela anda por si só

Penso em mil coisas
Imagino e penso
E quando sou ferido
Me calo , mas não por ser submisso
É que com a vingança futura
Selo um compromisso
E é no silencio das horas
Que traço meu plano

Quase sempre não ponho em prática
Toda idéia de vingar
Mas um dia
Talvez esqueça toda essa poesia
E de tanto imaginar
A realidade possa saborear

Injustiça


Em cada decepção um história
De superar derrotas
Quem nesta vida não se vangloria
Ao sabor de traiçoeras festas

Em cada ponto de partida
No fim do dia uma poesia
A dor da injustiça que não se finda

Vem o início de um dilema
Depois de digerir uma injustiça
E uma longa noite comprimida
Comprida em dores amores
Disabores em alívio a base de comprimidos
Em qualquer buteco vendidos
Só os que sofrem a injustiça
Sente na carne
O quanto é sofrida

Me mostro e me escondo
No emaranhado de atos
Me mostro ao ver o sol pra mim se pondo
E me escondo ao perceber tristes relatos

No ato estreito de poetar
Ainda bem que poeto
Se não, não sei
Não seria Esse Eduardo
Seria apenas um simples coitado

Se não fosse a minha fome de poesia
Acho que não responderia por mim
Mas pela louca e selvagem
Vontade de justiça
Na inundação de injustiças que vivemos
Todo dia

Na me tira mais do sério
Ou me deixa mais sério
Que a tal da injustiça
E principalmente aquela
Que vem com o mistério


A injustiça é filha da mentira
E irmã d hipocrisia

Escrevo em subjetivo
Não quero contrariar a minha mente
Vivo num mundo
Como um doente defunto
Numa patota demente
De gente comendo gente
Numa civilização não canibal
Mas sim imoral

Ao ver uma injustiça
Quem não se desespera
É porque não está relacionando a ela

A injustiça as vezes
É uma cortina de fumaça
Por ela todos passam
Mas em todos ardem os olhos
E impregnam-se com seu odor
Até que ela se pulverize por completo

Inspiração fujona






Envinha pela rua
A poesia soprava no meu ouvido
Pura e só inspiração
No ato de so guiar só

Corri depressa
Fui para meu quarto
Meu cômodo da casa predileto
Santuário poético
Pequei papel e caneta
A inspiração correu
Embaixo da cama se escondeu
E eu nem sei
Se versos eram meus os teus

Doce quimera poesia
Minha viciosa alegria
Perdi os versos no caminho
E quando os fui dissertar
Só no espelho da alma
No céu estrelado vi eles passarem

Inspiração fujona






Envinha pela rua
A poesia soprava no meu ouvido
Pura e só inspiração
No ato de so guiar só

Corri depressa
Fui para meu quarto
Meu cômodo da casa predileto
Santuário poético
Pequei papel e caneta
A inspiração correu
Embaixo da cama se escondeu
E eu nem sei
Se versos eram meus os teus

Doce quimera poesia
Minha viciosa alegria
Perdi os versos no caminho
E quando os fui dissertar
Só no espelho da alma
No céu estrelado vi eles passarem

Jeito

O jeito
O que vale pra mim
Singelo e taciturno
Nesse mundo habitando em taxis
Nesse mundo de Deus sem fim
Será que no futuro há
Algo de bom reservado pra mim

Um olhar , um toque
No sorriso da moça que admiro
Quero um beijo sem retoque
Direto e cravante feito um vampiro

No sentimento de amor
A paixão é o que vale prá mim
É um não de um sim
O começo do meu fim

Nesse emaranhado de sonhos
Tento fazer caber
Todo sentimento dentro de um só ser
Dentro de minha poesia
Só cabe minha historia
Minha melancolia

A esperança com seu jeito risonho
Ri de meu sonho
Amo mais o jeito
Que a própria beleza
Da moça que a mim corteja


Uma maneira de andar
É o jeito de me encantar
No quarto ou na sala de estar
Quero uma moça jeitosa pra namorar
E depois de alguns meses casar
A paixão não pode esperar
Senão vira amor e já era
Passa a vontade rebelde

O jeito que a musa encontra
Pra me encantar é o seu próprio jeito
Dizer com gestos magestosos
Que é prá mim esses trejeitos
A ela tão cobiçada
Escrava da luxuria o amor desejada

É o jeito de moça
Nas maracutaias do existir
Na vida subir
Muito mais que beleza
É preciso esperteza
A beleza fundir


É o jeito da moça
Muito mais que a simples beleza
É a real aparência é o jeitinho , a delicadeza
Que encanta todo marmanjo

A musa de minha poesa
Não podia ser diferente
É um verdadeiro concreto desejo
De amar, de apaixonar...

É o jeitinho sorrateiro
Suave , breve e cadenciado
Nos passinhos ao andar , desfilar
Que desbanca qualquer sujeito
E faz crescer a cada dia
Cada poesia
A dor, a paixão no peito
Desse poeta sem jeito



Medo do escuro





Mundo afora
Ai dor que me aflora
Não queria
Mas com isso quem podia

E agora neste silencio
Meu dispêndio vem
E como quem sabe nela
Em dor de outrem

Oprimido por aparências
Coisa feita, coisa feia
Versos feitos palavras prontas
Não são para um poeta

Quero criar
Construir o próprio trecho
Caminho de ser sobrer
E andar mesmo descalço poder
Mas andar como os próprios passos

E nas passadas da vida
Vou desnorteando emoções
Sentindo o terrível
Temível
Medo da solidão
Que já me acompanha
Desde sempre na escuridão
Pois o desprezo é um quarto escuro


Dos fios de teu cabelo
Vejo neles um rabo de cavalo
Correndo água e nasce flor
Minina da cidade vem da roça o interior

Nas noites de frio
Lembra o vento no lombo de teu cavalo
Mineirinha da fazenda
Hoje reina absoluta na cidade


Mais menina que da cidade muita moça
Mais moça que da cidade muita menina
Passa a sonhar em encantos ter
Pra os moços todos encantar

Fina pétala em flor
No meio da floresta seu jardim particular
Do calor a festa flora
Na fresta da cidade movimentada
Muito amor pelos amigos
Até esse poema compor

Ventos sopros em assombros
De pingos orvalhados
Na alegria e no sorriso enfadonho da geada
Tira leite e pega na enchada
Lavra a terra e livra o campo
De ervas daninhas predadora
Curando bicheiras desilusões em bernos
Ardendo em fogo de saturno


A terra se descamba aos seus encantos
Mineirinha da fazenda
E agora da cidade também
Teu sorriso não tem preço
Adoro ver-te com muito apreço


Não há desassossego que agüente
O sorriso puro e meigo
Resaltados em olhinhos que brilham
Completanto a ilusão
Pura perdição
Mineirinha residente também
Doce amiga
Em meu coração...



Mineirinho de interior



Vê-se logo no bom humor que irradia
Também tristezas remove montanhas
Mesmo não remanescentes auspiciosa
O sorriso meigo quando um agrado providencia
Tudo volta a sua ambígua melodia

Puxando o “r”
Sem perceber vão se passando os dias
Mas as coisas acontecerem a perecer
Criados cativados no interior
E ecoam do interior poesias

Num quase que distúrbio bipolar
Um poder paralelo vem da inspiração
O jovem calado vê na poesia
Sua forma de expressar de falar
Uma existência salientar

Enigmático pragmático em enigmas
As forças dos sonhos
Ditam-nos regras ao acaso
Num surto psicótico
De baixas alta-estimas

Mineiro do interior
Faceiro como ele so
De tanta emoção borda na garganta um nó
No coração Tristão
Muito calor de paixão
Vê na honestidade seu retrato falado
O mineiro que se preze for
Tem num coração esperto
Tudo que há de melhor e concreto
Mesmo no seu jeito descreto

Momento propício




É preciso aproveitar
Sem muito pestanejar
Este momento que vem em infante
Pois não há hora melhor
Que o terreno fique mais convidativo
A ser plantada a semente
Quando o sofrimento adubado vem
Na inspiração pura e total
É que os versos explodem em furor

Quando tudo vai bem
A inspiração poética raramente vem
E isso se dá conta
Depois que a onda passa
Se passa a tormenta

A poesia é arte ferramenta
Que vem de forma simples ostenta
Na força que orienta
A inspiração que no sofrimento
Se fomenta

A poesia não é levada pelas ondas
Ela é algo especial
Fica um tom uma certa magia
Como que um perfume
Que fica nas mãos de quem oferece flores
Nas mãos poetizadas
Colhe flores nos dispares odores
Desse jardim matinal da ilusão

Motivo de interesse
As pessoas se unem
Pelas desgraças
Nada de sonhos
Sossegos em graças

Fatos reais
Comuns incomuns
Nada legais
Nos desaforos sociais

São pelos buracos
Fendas feias cicatrizes
Que cada pessoa tem
Deixada em marcas
Marcando momentos difíceis
De uma vida , uma coexistência

Suas sentenças
Em brazas acessas
Almas descrentes
Mel da boca de uma virgem moça
Surrada pelas coisas
Tristezas da vida
Miserável da pobreza

É que a Fé
Mostra sua garra e seus dentes
Na dor dos que tem fome
E sede de justiça

Prá issso
De se encontrar
No perder poético
Um cair quase epilético
Dor de um ator patético

Não tem dia nem nada
Não há idade
Prá poesia que há
No ar , na água e na terra
A dor da inspiração
Em decepção que seenterra

São pelas cicatrizes
Que as pessoas se unem
E se sentem em comum
Algo
e no mesmo desejo de amor
a necessidade de amar e ser amado
a pura paixão se abre
se abre
desabrocha feito flor
a mais linda de todas

Não parem de poetar!


Tantos livros
Poemas aos montes
Poetas nascendo
Transcendendo a cada desilusão
Constante inspiração
Tanto hoje quanto antes

Alguns amigos
Colegas na poesia
E as vezes até na boemia
Da poesia querendo desistir
Por acharem no mundo
Poesia sobressalente existir


Nesse mundo
Vejo um universo infinito
E ademais
O que não há de muito neste mundo?
Pessoas , objetos, projetos... tudo!
Num incessante acontecer


Tudo se modifica
Envelhece e se renova
A não é diferente
E a inspiração se na poesia se multiplica

A poesia
Gerada de inspiração carnal
Impulso mental
Faz de uma simples atitude sentimental
Prazerosa aventura existencial
Poesia : necessária fantasia
Não parem de poetar
Não esqueçam como é relaxante sonhar!

NO MUNDO DAS SOMBRAS






Prá quem não tem
Em suma a vertente do vintém
Pouca coisa resta
E prossegue a quem

Quem vive no mundo das sombras
Esquecido por querer por todos
Criticado , marginalizado
Só uma coisa lhe resta pensar
Tirar o telefone do gancho
E exportar-ser dimensões afora
Enquanto sua pura e doce
Alma de criança chora

Mas o tempo passa
E aos imploros
As súplicas não , nunca
Jamais por ninguém são atenuadas
E só o que cresce é a dor
De nada na vida ter
Além da tristeza de ser
Uma poesia com amargo sabor


Sem nada desprovido de tudo
Na inaparencia se some
A dor corroe e consome
De um simples sorriso de um passa fome
Pobre
É assim a vida da maioria
Que nasce na periferia
Condenados a viver e quem sabe
Ser salvo pela poesia
Ou condenado pela hipocrizia
De uma sociedade perversa
Sem alma e sem nome

No silêncio da vingança


Lamentos não adiantam
Apenas atrasam
As vidas de quem os fazem ou ouvem
E quem ouve finge escutar
Lamentos coisa pouco salutar

Mas lamentos são convites
São baratos e acessíveis combustíveis renováveis
E as doces vinganças alimentam

No íntimo
No fragmentado firmamento do oprimido
A dor o sofrimento faz cativo
Em ímpeto descrédulo de justiça
O poeta faz sua própria justiça
Banhando em vesos
Paginas de sangue de desejos loucos
Que escreve
Enquanto o ódio cresce no peito e na mente
Cresce feito fermento

Invisível
Na calma fria de um perdedor
O voraz vírus do desespero é uma chama
Uma brasa que um dia
Em fogo pelo vento da oportunidade
Irá ensangüentar
O peito de meu malfeitor

O que está por se fazer
O que antecede o acontecer
No qualhar do sangue que jorra
Das veias do instinto assassino
Uma idéia , um sonho
A mais doce de esperada vingança

Não adianta mandar aviso
Quando a vontade chega
Aquela hora se conclui
A execução estará bem elaborada
Já era aquela vida de traidor
Vida desgraçada

Outra vida em silencio se furta
Temperada em doses loucas
A vingança é uma delicia
Um espetáculo de gozo incalculável
Como é gratificante , bom e gostoso
Se sentir vingado
Prazer de valor inestimável
No silêncio , no aceitar , até no poetar
A dor do desaforo vem em tudo
Vem em coro , em choro
E a vingança é o ópio dessa guerra
A pólvora do ódio
O estopim germinado em pontos fracos estudados
Nas solitárias madrugadas

Deitado em cama fria e dura
Milhões de idéias loucas vem me visitar
Pena que não tenho aqui agora
Um papel e uma caneta
Pra construir essa bereta
De injustiças e amarguras dissertar
E a raiva no peito mais tempo guardar

É na poesia que me curo
Me seguro
A dor de ser um ser envergonhado
Pelo mundo social abominado
Desmoralizado
Sou um operário , um poeta pela justiça abandonado
E o lugar onde meus pensares pousam
É escuro
É futuro

Quem condena a vingança
São os fracassados
Seres que já não possuem esperança
São homens casados


Seres assim sem pulso
Sem impulso
Vivem na ilusão sem poesia
De uma família a sustentar
Bens a ostentar
Herança adeixar
A uma esposa e filhos que nunca o amaram
E o que mais querem é o ver morto
Homens assim
Estão sempre perdidos no comodismo
De uma vida parada
Um coexistir pacato
Uma vida de rato
Se escondendo os problemas
Abaixando a cabeça pra tudo
Vivem assim
Até sua própria covardia
Com o nome atual de depressão
Implacavelmente os matar

Noite escura




Lâmpada que arde meus olhos
Vai arder La no escuro feroz La fora
Iluminar sim é o que tem que ser
Eliminando os mal presságios
Fritando olhares gulosos algozes

No emaranhado de sonhos
A note escura
No silencio a dor do brilho na vista cura
No orgasmo de um vivo furo
A imagem dela retrata
Toda dor e prazer sentida
Em um forte cheiro de fritura

Melancolicamente efêmero
A fera solta dentro do ser
Faz noite escura
Até mesmo a noite de lua cheia

E nem o sol
Com toda sua fulgura
Astro-rei de soltura
Consegue dispersar essa noite escura
Esplandecida no manchado lençol

Enquanto isso ela se diverte
Com o amor que a poesia se arremete
Na frente e atrás do ser caliênte
E o coração apenas sente
O espinho em verso cravado
Feito garra de uma gata
Borralheira de cara borrada
E no pescoço a falta de ar gerada
Por um nó na garganta
Aplicada por ela uma gravata
Paixão ingrata